“Uma das coisas mais importantes que um operário, um trabalhador da construção civil , alguém que vive no canteiro de obras precisa entender,  é que é necessário que ele se desavergonhe. E ele se desavergonhará quando tiver clareza da importância daquilo que faz.

Um homem só deve olhar outro homem de cima para baixo, quando for para ajudá-lo a se levantar” 

Mario Sergio Cortella

Filósofo, escritor, educador, palestrante e professor brasileiro

Sim, um dia fomos apenas uma ideia.

 

 

Mas ideias movem desejos, e a soma de nossa experiência no ramo da arquitetura, urbanismo e educação criou em nós o desejo de, por meio de um processo de educação em canteiros de obras, realizar com os trabalhadores a transformação dos resíduos de construção em obras de arte. Mais do que isso, queríamos que os próprios trabalhadores se transformassem. Essa era a ideia original, que em janeiro de 1999 criou vida com o Projeto Mestres da Obra.

 

Em 2001, depois de dois anos de muita persistência, e com o mínimo de apoio, implantamos o projeto piloto em um canteiro de obras em Santo André, cidade do Grande ABC paulista. Participaram dessa fase inicial três operários, dedicando meia hora semanal dentro do horário de trabalho. Já então o horizonte se mostrava favorável, porque esses trabalhadores permaneciam espontaneamente nas atividades após o expediente, tendo contato com alguns conceitos de arte e design e, mais do que tudo, experimentando a prática da “transformação do olhar” sobre os materiais e o meio, o que mais tarde se constituiria em um dos elementos educacionais fundamentais do Mestres da Obra. Durante seis meses foram produzidas peças de arte das mais diferentes linguagens. Esculturas, painéis e luminárias nasciam das mãos daqueles trabalhadores, que exercitavam a subjetividade, até então pouco estimulada no ambiente de trabalho.

 

O resultado não poderia ter sido melhor. As peças foram selecionadas para um salão de arte regional, o Salão de Arte Contemporânea Espaço Henfil de Cultura, e devido ao resultado positivo desse projeto piloto, documentado em primeira página pelo principal jornal da região, a iniciativa ganhou visibilidade e apoios, conseguindo avançar.

 

De 2001 até 2016, o projeto foi implantado em canteiros de obras de todo o Brasil, permitindo o acesso de milhares de trabalhadores. Durante esse tempo, desenvolvemos inúmeras metodologias e práticas de educação, arte e desenvolvimento humano e compusemos um acervo com centenas de peças de arte e design, que já estiveram presentes em exposições nacionais e internacionais. No meio tempo, no ano de 2006, teve início a estruturação de uma instituição jurídica denominada Associação Mestres da Obra, que logo recebeu o titulo de Organização Social de Interesse Público. Foram estabelecidas parcerias institucionais e financeiras com diversos agentes do setor da construção civil e organizações nacionais e internacionais ligadas à questão do trabalho, da promoção da saúde e do desenvolvimento humano em ambientes de trabalho. E, para nosso orgulho e como coroamento de anos de dedicação, hoje nossa prática é reconhecida como pioneira na indústria da construção civil mundial.

 

Valeu a pena termos sonhado!

 

Agradecimento especial aos sonhadores/fundadores
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Arthur Zobaran Pugliese

Fundador

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Daniel Cywinski

Fundador

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Vera da Cunha Pasqualin

Cofundadora